Desde que foi lançado no final do VMA 2015, o álbum de Miley Cyrus, "Miley Cyrus and Her Dead Petz" foi assustador à primeira vista. A primeira música do álbum, "Dooo It" se mostrou um emaranhado de acordes sem início ou fim, com uma apologia descarada ao uso da maconha.
Não que eu acredite que esta faça mal á saúde ou qualquer oura coisa. Sinceramente, não me importo nem um pouco com isso. Esse é um debate mais que manjado. De qualquer forma, depois de um tempo me lembrei do nascimento do Rock N' Roll. No início dessa corrente musical, os controladores da "cultura de alto padrão" de até então, consideravam apenas o estilo clássico como "música de verdade". Quando surgiu como movimento de rebeldia e busca de expressão da liberdade, o Rock era lixo, inaudível, regressão dos jovens daquela época que ouviam qualquer porcaria. Depois de um tempo, a mensagem que o Rock gostaria de transmitir foi compreendida, e hoje, o Rock é "música", e por isso, está sendo deixada para trás pelas novas gerações que também querem se rebelar contra os padrões culturais "atrasados" dos seus pais.
Depois dessa reflexão, voltei a ouvir o novo álbum de Miley e compreendi que ela queria fazer algo diferente. O diferente incomoda as pessoas acostumadas com o mesmo. Não as julgo. O cenário pop atual está repleto de músicas que parecem a mesma, com as mesmas fórmulas de sucesso e melodias, falam sempre dos mesmos assuntos, do amor da boca para fora, de inimizade entre mulheres, entre outros.
Ouvindo mais atentamente o álbum, pude perceber que Dead Petz é futurista, uma regressão honesta ao padrões de consumo pop atual. Os pioneiros do blues arriscaram da mesma forma e obtiveram sucesso, mesmo quando a cultura promovida pelos ideais eurocêntricos eram a cultura boa. Aparentemente esse disco da Miley não fez sucesso, mas, pelo simples fato de me inspirar e romper minha visão da arte redonda e perfeita, já o considero revolucionário.
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| Capa de "Miley Cyrus and Her Dead Petz". |
Melodicamente, "Miley Cyrus and Her Dead Petz" é realmente pobre e em relação à apologia ao uso de substâncias ilícitas, é interessante lembrar que o Rock e o Reggae já fizeram e fazem isso e são considerados estilos musicais de qualidade. É mais simples apontar os erros de uma artista com fama de "vadia" e taxá-la como anticultural.
Todas as canções do álbum, exceto "Dooo It", são realmente agradáveis de serem ouvidas. De alguma forma, "Miley Cyrus and Her Dead Petz" ainda não agrada os críticos especializados, mesmo em era de internet. Mas, pessoalmente, a vibe experimental do álbum é que o que realmente mudou a minha vida e minha visão de arte.

