O ato de persistir é inerente ao ser humano. Porém, em algum momento, desistir é a melhor opção. Existem pessoas que conseguem seguir adiante após fracassarem em uma tentativa, ou mesmo diversas tentativas. Entretanto, ninguém é igual à ninguém. Nem todo mundo se identifica com uma só estrutura. Cada indivíduo é uma incógnita. Tentar demasiadamente é frustrante, e mais ainda, fracassar é frustrante. Isso torna a própria existência frustrante. E pessoas são frustrantes. Me arrisco a dizer que pessoas novas são decepções adiadas. Talvez seja essa situação apenas um sentimento de não conseguir se encaixar num lugar qualquer. É uma prisão. Sem termos alternativos. A inferioridade é uma prisão. E pior ainda é o sentimento de inferioridade, pois esse é ainda mais destrutivo. Lutar contra este é uma batalha árdua e silenciosa. Apenas você consigo mesmo.
"Everybody's Changing" de Keane
Nem sempre agimos de acordo com os nossos ideais políticos. Hipocrisia? Talvez não. Somos o ambiente em que construímos nossas identidades individuais e coletivas. Somos o que vivemos, onde vivemos, como vivemos e quando vivemos.
A organização social ocidental age como se existisse suprimento interminável. As construções sociais se denunciam por si mesmas e por si mesmas provam que elas são difíceis de serem desfeitas. Todo ser humano existente já ridicularizou alguém alguma de forma. Somos seres vivos que precisam matar outros seres para sobreviver, mas em contrapartida, somos seres dotados de algum fenômeno que nos faz viver, nos faz amar, sentir gratidão, compaixão, entre outros. Então por que estendemos essa natureza de competitividade entre espécies distintas que essencialmente visa a subsistência, para as relações sociais?
A maioria das sociedades demonstram algo em comum. Todas elas possuem hierarquias, sistemas de poder, entre outros. Uma sociedade ideal, pessoalmente, seria aquela em que todos se unissem para que a humanidade construísse um avanço em pautas como amor, amizade e que o amor fosse mais do que assunto para debate filosófico, mas sim, parte de um diálogo político. Mesmo que isso pareça desnecessário. Por que não agimos da mesma forma quando a pauta de uma discussão política é o ódio, o terror dos “terroristas”? Não são ambos, o amor e o ódio, sentimentos abstratos da nossa essência?
A sociedade contemporânea fundamentada pela hierarquização sistemática do meio social, econômico, cultural; fortemente impactada pela ciência antropocêntrica, que se vincula por si mesma a um ideal de modernidade, prático e individualista, faz com o que o ser humano acredite que seja capaz de controlar a natureza de acordo aos seus interesses.
"Infinita Highway" dos Engenheiros do Hawaii
Isso se verifica na ideia de desenvolvimento através do paradigma cartesiano. Nele o conhecimento é mecanizado, fragmentado e sistematizado. Para o ser humano que vive na sociedade ocidental, todo processo lógico exige um ciclo cronológico que exima início, meio e fim. Por exemplo, é difícil entender a existência de um processo que sempre existiu e sempre existirá, seja ele qual for. Porém, o nosso planeta é limitado de recursos naturais para sobrevivência humana e não é possível um crescimento econômico infinito. Mas a sociedade funciona como se o crescimento econômico fosse infinito. Somos o ambiente em que construímos nossas identidades individuais e coletivas. Uma pena que esse ambiente despreze a essência da humanidade de forma tão pobre, mas, ela ainda existe, só precisamos saber para onde olhar.